domingo, 8 de novembro de 2009

Tryin' to move on

Na verdade mesmo o melhor título pra esse post seria o nome do blog do Luciano ( Trying to find the lost heaven), mas aí é ser deprê demais e isso eu num quero. Aaanyway!

O conto da Tempestade


Há muito, muito tempo, numa terra pelos Deuses esquecida, cercada de azuis montanhas de picos gelados e vales recobertos por uma relva suave, jazia um castelo de muralhas castigadas pelo tempo e pelas incessantes investidas da vida, sempre a tentar quebrar a paz e a felicidade, afinal, a vida sobrevive do caos.

Pois foi depois de uma longa e esquecida guerra, quando só sobram cinzas, fumaça e escombros que surgiu, num lindo e laranja por do Sol que a Esperança novamente caminhou pelos prados, vindo do Oeste, em seu vestido branco reluzente. Como de praxe em tempos assim, O Senhor do castelo, cansado e exausto da Guerra, ao ver a Esperança novamente em suas vidas, não tardou a levantar-se, com sua armadura enferrujada e marcada de batalhas, e cegamente apaixonou-se pela Dama no vestido branco, acreditando ser um sinal dos Deuses, que novamente caminhavam por seu reino.

As muralhas foram mais uma vez reconstruidas, as ovelhas repovoaram os prados, nos sopés das montanhas, uma brisa morna soprava do mar quando anoitecia, trazendo consigo a luz das esrtelas. A primavera já lançava seus primeiros sorrisos, quando a Vida mais uma vez se fez valer.

A Esperança que antes vestia seu vestido branco tornou-se amarga, seu vestido reluzente tornou-se negro como noite sem lua, tempestades se formaram no horizonte, anunciando que mais uma vez a Treva se aproximava. O Senhor mais uma vez vestiu sua armadura, olhando dolorosamente para aquela que tinha se transformado num macabro troféu de desilusões, retirou sua espada da bainha para mais uma vez afiá-la, rezando aos deuses que fizessem com que o instrumento de tantas conquistas o ajudasse agora a conquistar sua própria vida, transpondo a batalha que estava por vir. Subiu então à muralha, esperando que a Dor mostrasse mais uma vez sua face. Desta vez não existiriam exércitos, embora muitos em seu reino se manifestassem, com palavras de apoio e compreensão.

Mas duas noites se passaram, a tempestade aumentava sua força, mas a Dor não mostrava sua face. Foi então que o Senhor em sua armadura deu suas costas para o horizonte, para contemplar aquela que poderia ser sua última visão de seu castelo e de suas montanhas. Eis que ao fazê-lo a Dor mostrou-se. Impiedosa, seca, linda e mortal. Era aquela que chegou como Esperança. Empunhava uma espada negra contra aquele que lhe deu carinho, acolhimento e sobretudo amor, amizade e confiança. Sem dizer palavra a espada da noite, fria como o inverno sentiu o calor do sangue e da carne mais uma vez. Não houve sequer resistência da armadura dantes tão eficiente, havia uma brecha na defesa do Senhor, que confiava cegamente na Dama.

Sim, houve luta. Uma luta de um homem só, em desespero por sua vida, por aquilo que aprendeu a amar, e respeitar. E houve sangue, muito sangue. Sua espada fez seu papel ao protegê-lo, porém falhou ao ataque, numa tentativa desesperada de vã vingança. Depois da tentativa do último golpe houve um baque surdo, chuva gélida caía impiedosa dos céus púrpuras com a alvorada próxima. Sangue e chuva misturavam-se ao redor do corpo caído. Os corvos eriçavam-se nas árvores.

O Senhor foi levado para seu salão gentilmente por aqueles que se revelaram verdadeiros amigos, sentindo queimar dentro de si a gratidão por ter perto de si tão valiosas pessoas.

Dias se passaram até que finalmente ele pudesse abrir novamente os olhos, desejando fechá-los para sempre. A ferida estava lá em seu flanco, pungente, esvaindo seu sangue. Sua armadura tinha metal novo no lugar da estocada, revelada pelas manchas de sangue eternizadas no peitoral, ao redor do hábil reparo. A espada sorria reluzente ao ver seu dono novamente abrir os olhos, prometendo novas conquistas, e com elas, novas batalhas.

A tempestade se foi. Restaram cinzas, escombros que começam a ser reconstruidos aos poucos. E uma ferida que, apesar de parecer totalmente fechada, ainda revela-se presente nas longas noites sem luar.

1 Scraps:

Marília disse...

Muito Lindo e criativo Wil! hahaha
não sabia que vc escrevia, muito menos que tinha um blog!